- Nalvinhaaaaaaaaa, Edi passoooooouuuuu!

- Passou onde, mulé!

- Passou na faculdade, Nalvinha!

- E como é que tu mais o compadre vão pagar faculdade?

- Não é a gente que tem que pagar não, Nalvinha.

- Ah, não! E quem é que paga?

- É o governo que paga.

- O governo agora paga faculdade é?

- É de graça, Nalvinha.

- Comadre, tem que ver isso direito. Esses políticos não dão nada de graça pra gente.

- Agora nossa família vai ter um doutor, Nalvinha. Teu sobrinho vai ser um doutor médico.

- E tu acha que Edinardo não vai ficar metido, não, comadre?

- Que metido que nada, Nalvinha. Ele vai continuar o mesmo menino que tu sempre conheceu.

- Dona Rosa, minha patroa, disse que filho de pobre quando vai pra faculdade fica tudo metido.

- Eita, que essa Dona Rosa é venenosa, hein, Nalvinha.

- Ela vai ficar tiririca quando eu falar que Edinardo passou na faculdade. Ainda mais pra ser doutor.

- Oxi, e por que isso, Nalva?

- O neto dela, o Júnior, tu conheceu ele uma vez que tu veio passar roupa aqui.

- Que que tem?

- Não passou não. Ela disse que foi por causa de negócio de cota.

- Os rico sempre inventa uma desculpa quando alguma coisa não dá certo pra eles, Nalvinha.

- Mas o menino não queria era nada com estudo, não. Ficou aqui um mês, acordava já era de tarde, comia e ficava só vendo televisão até de madrugada. Não ligava nem o computador.

- Rico quer só moleza e depois fica falando de pobre. Edinardo estudava todo dia de manhã até de noite.

- Dona Rosa não é rica não, comadre, ela é só metida a besta. Ela tem a pensão que o Major deixou pra ela. Tu sabe que até hoje a filha não casou e ainda recebe pensão? Já é amigada pra mais de vinte ano com o pai do Júnior.

- Essa gente é tudo assim. E depois fica falando de nós, dos pobre.

- Eu vou é esfregar mesmo na cara dela que meu afilhado passou na faculdade. Que vai ser doutor.

- Vale à pena, não, Nalvinha. Essa gente não se emenda. Bora é comemorar aqui em casa. Quando tu sair daí passa aqui pra tomar uma cerveja!

- Eu vou é agora!

- Pois venha.

Alê Magalhães

30 de abril de 2021

Leitora. Professora. Escritora. Administra o instagram literário @literaleblog.

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